Atraia a atenção de todos por fazer perguntas certas nas horas mais oportunas.
"Ótima observação. Belo questionamento, você tirou as palavras da minha boca", dissera o professor naquela manhã.
Era o primeiro dia de aula. Eu, como sempre, não estava muito a fim de papo.
Todos se abraçavam, se beijavam. Perguntavam uns aos outros sobre as férias. Queriam saber as novidades.
Não que estivesse infeliz ou de mau humor. Achava apenas desnecessário, pouco eficaz.
Abri o jornal na esperança de me distrair um pouco. Mera ilusão, o sossego foi efêmero.
- E aí, jornalista, trabalhando muito?
- Um pouco, talvez, resmunguei de canto.
- Nossa, essa sua barba tá bem grande, heim? Há quanto tempo você não faz?
- Sei lá, há dois meses, mais ou menos, respondo meio sem jeito.
- Você pretende tirar? (Para que diabos eu deixaria a barba crescer se tivesse a pretensão de tirá-la?), penso.
- Não agora, respondo displicentemente, como se quisesse dar um ponto final naquele papo matinal estapafúrdio.
Comecei a me questionar, portanto, se eu não estava sendo ranzinza. Afinal, qual era o problema em ser evasivo, fazer perguntas, ir direto ao ponto?
Por um momento, quase me passou despercebido o "bom dia" daquele senhor grisalho, cujo rosto era familiar. Sem hesitar e olhando diretamente nos meus olhos, ele disse:
- Bom dia, essa sua barba é exigência do Estadão ou da namorada?
- Acho que só do Estadão, respondi, esboçando um sorriso, que propiciou boas gargalhadas de ambos os lados.
A conversa não durou mais do que aquilo. Não precisava. Ele já perguntara tudo naquele jogo de palavras.
"Três pesos e uma medida", refleti. Pode ter sido apenas uma brincadeira, mas para mim foi um belíssimo poder de síntese, sabedoria. Algo que só os mestres possuem.
Talvez esteja mesmo no caminho certo...
- Um pouco, talvez, resmunguei de canto.
- Nossa, essa sua barba tá bem grande, heim? Há quanto tempo você não faz?
- Sei lá, há dois meses, mais ou menos, respondo meio sem jeito.
- Você pretende tirar? (Para que diabos eu deixaria a barba crescer se tivesse a pretensão de tirá-la?), penso.
- Não agora, respondo displicentemente, como se quisesse dar um ponto final naquele papo matinal estapafúrdio.
Comecei a me questionar, portanto, se eu não estava sendo ranzinza. Afinal, qual era o problema em ser evasivo, fazer perguntas, ir direto ao ponto?
Por um momento, quase me passou despercebido o "bom dia" daquele senhor grisalho, cujo rosto era familiar. Sem hesitar e olhando diretamente nos meus olhos, ele disse:
- Bom dia, essa sua barba é exigência do Estadão ou da namorada?
- Acho que só do Estadão, respondi, esboçando um sorriso, que propiciou boas gargalhadas de ambos os lados.
A conversa não durou mais do que aquilo. Não precisava. Ele já perguntara tudo naquele jogo de palavras.
"Três pesos e uma medida", refleti. Pode ter sido apenas uma brincadeira, mas para mim foi um belíssimo poder de síntese, sabedoria. Algo que só os mestres possuem.
Talvez esteja mesmo no caminho certo...

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