A fobia social


Nunca tivera tanto medo de sua mente como naquele dia. A raiva tomara conta de si. As pessoas com quem vivera já não o compreendiam. As que nunca tinham visto seu rosto também não eram suficientes para amenizar tantos momentos de angústia.

O médico não dera outra opção. O diagnóstico foi certeiro: “És uma doença rara. Cientistas do mundo todo tentam há anos descobrir a cura, mas nunca chegaram a algo relevante. O Sr. ficará trinta dias sem nenhum contato. Deve permanecer isolado. Qualquer tipo de relação pode piorar seu estado e trazer consequências irreparáveis”.

A princípio, não se importou. Precisará mesmo ficar sozinho, afinal, foram três fortes crises em menos de duas semanas. Sua mente não suportara o convívio em sociedade. Sabia que somente as recomendações médicas podiam surtir algum efeito.

Escolhera uma casinha na Rua do Encomendador, na região norte. O vento lá soprara com uma intensidade desproporcional para a época. Talvez isso lhe trouxesse bons ares.

Todos haviam se mudado dali desde que a ventania passou a ser algo constante na vida da população.
O abrigo escolhido não era lá grande coisa. Um armário com algumas roupas, uma cafeteira e um caderno em branco.

Todos os dias de isolamento seriam relatados naquele pequeno pedaço de brochura. Nunca o mês de abril parecera ser tão longo.

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