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Postado por
John
às
08:46
Analiticamente falando, são três as variáveis da saudade. A primeira delas, talvez a mais genuína, porém rara de ser alcançada, é aquela similar a um sentimento bom. Quando você sente falta de algo, recorda-se positivamente das coisas, mas, por instinto, não quer que aquilo volte a acontecer. Acredita que, de tão pura, de tão saudável, o passado seja o lugar propício para deixá-la guardada. Há, indubitavelmente, a saudade que aperta a garganta, que, de tão latente, profunda, fere seu coração. Você, mais do que tudo, precisa ter novamente, no entanto, sabe que não terá, afinal, já passou. Muitas vezes acaba se crucificando. Pede a Deus uma nova chance de reviver, de aproveitar melhor. O nível de egoísmo do ser humano reserva ainda outra variável. Trata-se da mais cruel e impetuosa. É a saudade daquilo que, de fato, não aconteceu. Ora, isso quebra a ordem natural das coisas. Sentir falta de momentos que não chegaram ao fim. De tanto criar ilusões, de tanto desprezar o que se tem, sofre por antecipação. Não dá a chance de aproveitar os momentos reais até o último instante para assim transformá-los na primeira variável da saudade, a chamada positiva. Essa talvez seja a saudade mais difícil de suportar.
1 comentários:
Adoro a maneira como você escreve.
Há tanto sentimento...
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