Estava decidido. Colocou tudo que precisava na mala e a fechou sem qualquer tipo de medo ou arrependimento. Iria mesmo partir naquela tarde. Sempre admirou o mês de abril, aquele em que começa o outono, termina o verão e tudo torna-se um pouco mais real. Escolheu aquilo, pois não queria mais ilusão ou utopia.Na bagagem, quatro camisas xadrez, uma bermuda surrada e um velho aparelho de mp3. Separou alguns livros, que não pudera ler por falta de tempo e seu melhor amigo: o inseparável violão.
Antes, no entanto, não podia sair sem escutar aquela música, a sua música. Pegar a estrada sem ouvi-la era como se estivesse fugindo de sua penitência.
Ligou o som, cantou, chorou: passara anos decorando minuciosamente cada estrofe. Deixou o aparelho ligado no último volume para não se esquecer.
Não sabia o destino, o que iria fazer ou, sequer, quando tempo demoraria para voltar. Apenas tinha em mente que precisava ir. Aquela vida não fazia mais sentido: o emprego, a faculdade, a namorada. Não queria nada.
Começaria do zero. Apenas ele, o mar, e as poucas coisas que não conseguia viver sem.
No bolso esquerdo da blusa branca que usava, um recado:
“Volte, por favor. Ligue assim que puder.
Eu te amo”.

1 comentários:
Nossa! Que texto lindo. Esse texto é a minha revelação mais discreta!
=)
Mandi
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